Nascida em 23 de setembro de 1970, a bióloga Silvania Santos complementa seus estudos com cursos de artes cênicas e cinema desde 1995. Cursou interpretação para teatro no Tablado, cinema com Walter Lima Jr e TV com Alexandre Klemperer. Estudou linguagem de cinema Joaquim Três Rios (efeitos visuais no cinema), Eduardo Aguilar (Assistência de direção), dentre outros.

Atuou como assessora pedagógica no projeto “Cinema-Escola” do Grupo Estação, no Rio de Janeiro. Fundou o projeto “Cineapreender”, em Belo Horizonte, que levava alunos de escolas públicas e privadas ao cinema e oferecia palestras e oficinas sobre a linguagem do cinema. Foi uma das fundadoras do grupo “A Tela e o Texto”, para reunir pesquisadores interessados na interface entre literatura e cinema, grupo este que hoje é um projeto de extensão da UFMG. Atuou no coral do Tablado e é integrante do grupo de samba Cristino e Cia. Além de atriz e cantora, é professora de biologia na Escola Parque e contadora de histórias na creche “Fazer Arte”. Também é autora do blog aeducadora.blogspot.com, um canal de discussão da educação - formal e não formal.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Sociedade Precisa Ver

A cidade do Rio de Janeiro Brasil é palco de execuções sumarias e arbitrarias cometidas por agentes do Estado. Cada morte arrasta consigo a dor de quem fica afetando todo o seu círculo social especialmente a família e amigos. O documentário centra-se nas histórias destes sobreviventes mulheres em grande maioria que lutam por justiça e para saírem da invisibilidade.



‎1h 10min‎‎ - 16 anos‎‎ - Festival‎‎ - Legendado‎ 


Sessões

R. Voluntários da Pátria, 88, Rio de Janeiro - RJ, 22270-010
13:30  15:00  18:30

Adaptar é trair por amor

Relato da aula de Maria Camargo no curso Adaptação.

Faz parte da criação de um roteiro recorrer à obras pré-existentes, mas é exatamente isso que caracteriza a adaptação de uma obra. Muitos termos são usados quando se fala dessa técnica: a partir da obra, inspirado no livro, adaptado do texto, transposição da obra... O roteirista que pretende transformar uma história literária em um filme, busca uma possível interpretação, um sentido para o “real” apresentado no texo, se possível com clareza, mostrando mais que contando.

Seria justo comparar literatura e cinema?

Há quem considere a adaptação um trabalho menor que a escrita de uma obra original, mas vale lembrar que o roteirista que aceita o desafio de adaptar um texto para a tela precisa lidar com as diversas camadas de informações disponíveis em um material que já existe e enfrentar as críticas dos leitores. Alguns livros apresentam uma trama com fatos concretos alinhados e o roteirista pode limitar-se à repetição e ilustração do que está escrito. Entretanto, quando a literatura é subjetiva, abre-se um leque de possibilidade de interpretação para o roteiro que poderá ser bem diferente daquela que o leitor havia feito. Isso acontece porque a imagem imposta em um filme é muito diferente das imagens evocadas durante uma leitura, por isso o leitor costuma se sentir traído quando assiste a adaptação de um livro.


Um exercício para mostrar como as leituras são individuais: analisar uma obra que tenha diversas versões para o cinema como o livro Crime e Castigo de Dostoiévski que serviu de inspiração para filmes de diferentes propostas estéticas, inclusive o tão aguardado Nina:

Conduzindo a platéia


              Em uma das aulas que tive com David França Mendes, ele falou sobre a arte de conduzir uma platéia, lembrando que os primeiros roteiros de cinema não eram mais que uma lista de coisas que os produtores precisavam lembrar na hora da filmagem. Mas ao longo da história do cinema os roteiristas foram desenvolvendo estratégias para que o espectadores embarcassem na história.
Atualmente o roteiro é um recurso para a venda do projeto, daí a necessidade de escrever com zelo.

 Um texto sem capricho, sem acabamento, denuncia que o roteirista escreveu para se livrar dele.

              Isso acontece, por exemplo, quando todas as cenas são iguais: enquanto personagens conversam, coisas acontecem. Investir na qualidade da escrita pode trazer um novo colorido à cena. Antes de escrever, o roteirista deve ter clareza sobre o cinema que deseja fazer. Saber a razão de cada cena é importante até quando uma substituição é necessária, desde que mantenha a essência da idéia. Em “Corações Sujos” David temperou sua escrita facilitando inclusive o trabalho da figurinista quando ele escreveu:
“como se a simpatia se estendesse à roupa”. 


               Um roteiro deve ser comercialmente viável. Para David, os cinco primeiros minutos de um filme são decisivos na conquista do espectador porque é quando a chave de leitura da lógica do filme será apresentada. Em “O pecado mora ao lado”, por exemplo, um off estabelece que o personagem fala sozinho, assim esse recurso não causa estranheza. Nas cenas abaixo, de “Quero ser Jonh Moucovich” vemos que as  esquisitices que aparecem no início do filme dão o tom da narrativa. 


                 É fundamental que o roteirista saiba responder: para que serve a cena e cada um dos elementos que faz parte dela. Uma cena bem escrita terá o ponto focal, onde o personagem na berlinda ou o tema polêmico estará em evidência. Em cada cena é necessário indicar os personagens, os espaços e indicar as ações, de modo que fique clara a intenção: fazer rir, chorar, pensar...
O trabalho do roteirista requer a capacidade de enxergar além do conteúdo do filme para montar uma estrutura coerente e rica. Essa habilidade é construída com a bagagem cinematográfica e o nível de comprometimento para a pesquisa e para escrever com critérios definidos.

A cena muda quando mudamos o tempo, o lugar ou ambos.

                 Provocar uma reação emocional no público é o principal objetivo de um roteiro. O desafio dessa escrita é despertar a curiosidade para o ponto de clímax de cada cena, apresentando o resultado de uma ação seguida de nova cena. Para conquistar o interesse é importante escolher bem as imagens, as personagens e as falas, valorizando até a última palavra.

                Pensar um filme, começa com a definição do início, meio e fim de cada cena, se possível, buscando nessa trajetória um micro-clímax. Objetos que aparecem recorrentemente, diálogos que se repetem ou o uso do mesmo elemento com funções diferentes (os três usos da faca) são exemplos de estratégias úteis, mas que devem ser usadas com cautela. O uso do off por exemplo, tem sido desaconselhado quando outro recursos podem ser usado, sobretudo um off explicativo. Para Jorge Furtado o off deveria ser usado apenas quando a cena se sustenta sozinha - sem ele. Em seu famoso curta “Ilha das Flores”, o Off é usado contradizendo a ação, como acontece no filme “O amor à tarde” .
          O uso de elipses pode funcionar quando o impacto de uma cena é carregado para a cena seguinte.




quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A pequena contadora de histórias

A imaginação da minha filhota não tem limites. Ela ama contar histórias, inventar músicas e manipular fantoches. Segue a história do leãozinho, improvisada por ela e registrada - sem grandes recursos técnicos - por mim.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

"Correndo atrás" é o tema da conversa da escritora Thalita Rebouças.

logo quarta ás 16:00 2010 grande.
A escritora Thalita Rebouças é a convidada da próxima quarta-feira, dia 11, do programa Quarta às Quatro, quando vai conduzir a conversa “Correndo atrás”. Mediadas pelo curador do programa e professor da UFRJ Vitor Iorio, as conversas deste ano integram o painel Livros Vivos: Histórias Originais, tema central da quinta temporada do Quarta às Quatro. A cada semana, um narrador ligado à imprensa, ao ensino, à cultura ou às artes é chamado a contar uma história original. Cada convidado compartilha com a platéia um relato inédito sobre alguma experiência singular vivida por ele no campo profissional ou pessoal.

 Conversa com Thalita Rebouças ─ Carioca e jornalista por formação, Thalita Rebouças desde criança se autodenominava “fazedora de livros”. Como jornalista, trabalhou na Gazeta Mercantil, no Lance!, na TV Globo e na FSB Comunicações. Começou a carreira de escritora em 1999. Em 2001, quando seus livros começaram a fazer sucesso, decidiu abandonar a carreira de jornalista e investir na vocação de escritora. Publicou nove livros dedicados ao público adolescente, entre eles Fala sério,mãe e Traição entre amigas, todos de muito sucesso. Em 2005, começou a assinar a coluna Fala Sério! na última página da “Revista Atrevida”. Em 2009, Thalita deu o primeiro passo rumo à sua carreira internacional, lançando seus primeiros livros em Portugal. Para setembro está previsto o lançamento de mais um título no exterior:Tudo por um Pop Star. Este ano passou a apresentar no programa Video Show, da TV Globo, o quadro “Fala sério, Video Show”. No Esporte Espetacular, programa da mesma emissora, começou a apresentar o “EE de bolsa”, um quadro falando de futebol por quem não entende nada do assunto.
O Quarta às Quatro acontece toda quarta-feira às 16 horas no Auditório Machado de Assis, na Biblioteca Nacional. O acesso é pelos jardins (Rua México s/nº) e a entrada é franca.

Produção ou reprodução cinematográfica?

O trabalho do roteirista de cinema depende fundamentalmente de editais públicos, mas esses programas não atendem à demanda dos autores brasileiros e costumam privilegiar os profissionais especialistas na "cultura do Caô e a do super star": quem sabe escrever uma boa justificativa ou tiver nomes poderosos, leva a grana e faz o filme. Os projetos apresentados pela produtora que já teve êxito de público em filmes anteriores também entram na lista das prioridades. Essas são algumas das razões que fazem os filmes ficarem cada vez mais parecidos. Ontem estive no Odeon para assistir "O bem amado" e nos traillers percebi duas tendências: representação da violência ou o reprodução da estética televisiva. A sensação de dèjá vu é inevitável... Como então ampliar o espaço para novos cineastas ou projetos diversificados de modo a arejar a produção e criar critérios mais justos que os estabelecidos na seleção dos roteiros dos editais que já existem? Podemos começar pensando em como são selecionados os membros das comissões que avaliam os projetos de roteiro e brigando para que o critério seja a qualidade da estrutura e do ritmo da narrativa e não pela grandiloquencia dos temas, como aqueles que representam fatos históricos ou fazem adaptação de livros conceituados. Quando  interessar aos selecionadores a história que o roteirista vai contar e como ela será contada, nossa produção cinematográfica dará um salto.



quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Glória Perez: a vida na novela

Recentemente, li na Trip uma entrevista com Glória Perez que abalou meu preconceito sobre as telenovelas. Me rendi à história dessa escritora que transformou o folhetim em um poderoso instrumento de diálogo: as obras de Glória extrapolam a função do entretenimento, introduzindo discussões relevantes em um produto de grande alcance popular. Ontem fui conferir o encontro com Glória Perez no programa Quarta às 4 na Biblioteca Nacional e esse é o relato do que ouvi nesse encontro.

Gloria chegou com um enorme sorriso e mostrou faz juz ao título de "Livro vivo", contando as histórias que marcaram as suas obras.

Ela contou que fazia mestrado em História quando foi convidada a ser colaboradora de Janete Clair. Nessa experiência, ela aprendeu a escrever de acordo com o ponto de vista da autora principal. Assim, ela começou a exercitar a capacidade de ver como o outro, o que facilitou a entrada nos personagens que cria.

Partido Alto foi sua primeira novela autoral, mas foi em Barriga de Aluguel que ela inaugurou um estilo marcante em suas obras: a insersão de causas sociais. Aos poucos, ela foi conquistando o público e a crítica e em 2009, sua novela
Caminho das Índias foi considerada a melhor novela do mundo.

Antes disso, Glória encarou diversas críticas, como quando foi chamada de delirante ao trazer a internet para as telas, quando a comunicação em rede não era popular.
Glória percebeu que o que ela escrevia poderia ser mais que entretenimento ao observar o quanto o público era influenciado pelas novelas. Se a população pode mudar o modo de falar e vestir influenciado pelos personagens era possível propor discussões e observar a resposta imediata da audiência. Ao colocar uma personagem no bairro Encantado, no Rio de Janeiro, Glória tratou de perguntar para a comunidade: como a novela poderia colaborar para melhorar a qualidade de vida daquele lugar? Ao mostrar aquela realidade e constatar que após a novela a comunidade ganhou o ônibus, Glória percebeu a força que sua escrita poderia ter.

Os temas abordados geralmente surgem a partir de uma observação. Em Explode Coração, por exemplo, a discussão das crianças desaparecidas foi introduzida na trama quando ela passava na Cinelândia e via mães com fotos de crianças. A personagem que vivia o drama colaborou para que mais de 100 crianças fossem encontrados, durante essa novela. A trama também ajudou a mudar a demora na procura dos desaparecidos. Até então, a polícia só procurava a criança após 48 horas do desaparecimento. É claro que a novela não solucionou o problema, mas colaborou para que as mães que vivem o drama do desaparecimento de um filho tivessem um atendimento humanizado.
Ao dar visibilidade às fotos das crianças desaparecidas, a novela sensibilizou empresários que passaram a ajudar na divulgação das fotos, facilitando o encontro dos desaparecidos para além do período da novela. Assim, o folhetim nas mãos de Glória pode, ao mesmo tempo, promover paixões e mudar a vida de pessoas, inclusive popularizando assuntos que costumavam ficar restrito à academia.

Seguindo o princípio de dar espaço e voz à quem não tem, Glória decidiu abordar os dramas da esquizofrenia e da dependência química. Para isso, o trabalho de pesquisa incluiu ouvir esses grupos e transmitir o que eles queriam dizer. No caso da dependência, ela ouviu que o grande erro das campanhas anti-drogas era tratar as drogas como algo ruim, porque, como isso não condiz com a realidade, não convencia. Ela teve que contar com a autorização das autoridades para criar uma trama onde os dependentes não fossem representados como pessoas sem caráter e ao longo da história mostrou que as drogas minavam o caráter dos personagens. A idéia era que os depedentes passassem a ser vistos como doentes que precisam de apoio e tratamento.

Ao visitar instituições que cuidam de doentes mentais para compor o personagem esquizofrenico, Glória percebeu que a rejeição social, que dificultava inclusive a conquista do emprego, era um problema a ser ressaltado. Glória criou um personagem para diferenciar o psicopata de um doente mental quando aprendeu que um psicopata não tem nenhuma emoção: ele é só racional, enquanto o louco se afoga na emoção de tal maneira que ele não consegue se controlar. Como resultado, Glória recebeu vários depoimentos de psicanalistas afirmando que a novela ajudou no combate ao preconceito e que as família passaram a admitir a doença mental, viabilizando o tratamento.

Ao ser perguntada sobre as razões de buscar temas em culturas distantes, Glória afirmou que na novela O Clone ela discutia a pretensão da ciência ao fazer a clonagem humana porque isso lhe trazia curiosidade, assim como a produção das quimeras: experiências científicas que misturam espécies diferentes. Ao expor esses homens que brincam de Deus, ela buscou como contraponto uma cultura que é muito submissa à Deus.

Ao ser indagada se houve arrependimento em alguma de suas abordagens, Glória afirmou que só escreve sobre temas que despertam paixão.  Ela usa a escrita para organizar o pensamento sobre os temas que para ela são curiosos. Assim, não se arrepende das coisas que escreveu porque eram coisas que ela gostaria de refletir.

Sobre a relação ficção e realidade, Glória espera que colaboração dela como novelista seja a de promover a mistura da realidade com a ficção e que essa foi a maneira que encontrou para unir suas duas paixões: história e escrita. A formação como historiadora colabora com o modo respeitoso que ela usa para representar diferentes culturas.

Glória explicou que nunca colocou dramas pessoais em suas tramas porque não teria o distanciamento que julga necessário para escrever.

Uma estudante do ensino médio sugeriu que ela inserisse em suas novelas os problemas da educação pública e Glória gostou da idéia. Ela já discutiu a falta de limite que costuma haver dentro das escolas e nessa ocasião recebeu diversas cartas de pais e professores que vivem problemas semelhantes, mas nunca tratou esse tema de frente. Escrever sobre a escola é caro para ela porque na educação de Glória, seus professores eram como uma extensão dos pais, bastava um olhar para que ela respeitasse.

Glória chamou a atenção dos alunos presentes para o fato de que o folhetim como qualquer outro trabalho pode ser usado para reverter em algum benefício social.

A Gafieira é outra marca registrada das novelas de Glória: "a dança de salão exercita o convívio com o outro. Nessa dança, como na vida, é fundamental a sincronia com o parceiro ou a parceira".

Glória nos contou que nem tudo sai como o planejado. Em Pecado Capital por exemplo, a trama teve que ser alterada porque os atores que faziam o par protagonista brigaram.


Embora Glória reconheça que o espectador possa aprender com a novela ela não acredita que a televisão possa substituir a escola, mas pode propor um assunto para ser discutido em escala nacional. O cinema, teatro e o livro por serem caros no Brasil não têm a força de alcance de uma novela. "Se a novela educar ela faz algo mais".

Além de trazer discussões, Glória também procura inovar no desfecho dos triângulos amorosos, fugindo das histórias clássicas de Romeu e Julieta. Ela fez isso ao ousar testar a história do amor construído. Quando ela viajou para a Índia, aprendeu uma lição que quis compartilhar: “Nós casamamos com água fria e durante o casamento, a gente faz a água ferver. Vocês casam com a água fervendo que, com o tempo só faz esfriar."

Quando foi perguntada se pretende abordar a história da filha em uma novela, Glória explicou que a única história da vida real que adaptou foi a de Euclides da Cunha. Por ética, ela não trata o drama das pessoas porque respeita a dor do outro.

Glória gosta de surpreender o público porque acredita que quando uma história que é previsível, o público se sente desapontado e desmotivado. Ela faz uma pesquisa de campo com ênfase antropológica: procura conviver com as pessoas para perceber nuances que enriquecerão seus personagens. Glória tenta fazer isso destituída de preconceitos para captar os estranhamentos e os valores das pessoas que deseja retratar.

Considerando a novela como um recorte da vida, Glória procura revelar diferentes culturas ao mesmo tempo em que tenta equilibrar os diversos núcleos. "No mundo você conhece pessoas que estão presas no século passado e outras que estão um século adiante. Gosto dessa diversidade."
Glória não costuma pensar no ator quando está escrevendo a novela. Ela pensa primeiro no personagem e depois decide em que ator ou atriz essa personagem ficará melhor. Ela acredita que tem atores que funcionam melhor com um texto de um autor, por isso a reincidência de certos atores em suas obras. Glória prefere atores que se entregam totalmete para entrar na pele dos personagens que ela cria e admira aqueles que conseguem se fazer sempre diferente enquanto atuam. Para ela, se o ator criticar, não funciona.

Glória também contou como consegue sintonizar a equipe promovendo reuniões e trabalhos de campo com os profissionais envolvidos, para que eles mergulhem na realidade que a novela expõe. Ela também compartilha com os atores as gravações que costuma fazer dos depoimentos para que eles fiquem imersos naquela realidade.

Algumas campanhas que ela levou para as novelas não foram bem recebidas pela audiência. O corte do beijo gay, por exemplo, exemplifica como o preconceito muda o destino de uma trama. A intenção de Glória era mostrar um beijo de amor, mas ela aprendeu com essa experiência e driblou o público ao retomar o tema: fazendo as pessoas se apaixonarem por um personagem e só depois revelando que ele era homossexual. Assim, não houve rejeição. Por isso, ao tratar temas polêmicos, procura se cercar de cuidados. "Há pessoas que pensam que só falar sobre drogas, estamos estimulando o uso".
Embora Glória adore fazer histórias de época como Ilda Furacão e Desejo, lamentavelmente não teve oportunidade de escrever uma novela de época. Quando isso acontecer, provavelmente teremos uma visão da Glória  historiadora, e a realidade não ficará chapada como costuma acontecer naquelas novelas onde todo mundo pensa, se veste e fala do mesmo jeito. "Se no futuro um arqueólogo encontrar o fóssil do Falcão, não pode tomar como regra geral o mode dele se vestir".
No final, eu e minha amiga Sônia Moreira fomos tietar Glória. Afinal, como aprendi com Nelson Rodrigues, "só os imbecis têm medo do ridículo!"



P.S. O programa Quarta às 4 acontece sempre às quartas-feiras no auditório da Biblioteca Nacional e conta com a curadoria de Vitor Iorio.

Atenção professores: duas turmas de ensino médio da rede pública são convidadas a participar da discussão. Levem seus alunos para participar das próximas discussões.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Mais coisas que aprendi na aula de David França Mendes

Sabe por que as escolas de cinema costumam oferecer simultaneamente as disciplinas Roteiro e Montagem? Roteirista e montador trabalham com a estrutura do filme: o primeiro vê a história, na ordem em que ela acontece, antes de o filme existir enquanto o segundo, atua após a filmagem fazendo um ajuste fino, plano a plano.

O roteiro de cinema apresenta um formato próprio, com cabeçalho, texto corrido, identificação do personagem, diálogo e descrição da ação.




O tempo do roteiro é sempre o presente, embora o diálogo possa usar qualquer tempo. Veja o caso de "Ventre Livre" de Ana Luiza Azevedo, Giba Assis Brasil e Rosângela Cortilhas:

                   produção: Casa de Cinema de Porto Alegre




CENA 1 - SALA DE AULA
Uma menina assistindo a uma aula de Geografia. A professora
mostra no quadro um mapa do Brasil. Uma turma só de meninas
presta atenção. No seu caderno, num mapa da América do Sul
mimeografado, a menina pinta o Brasil de verde e amarelo. Entre
outras alunas, a menina vê a professora girar um globo e
localizar o Brasil. Toda a cena em leve slow.
                   Música leve, nostálgica.
                   TEXTO 1 - LOCUÇÃO FEMININA
                   Desde criança, no colégio, eu aprendi que o
                   Brasil é um país grande: o quinto do mundo em
                   território, o sexto em população. Eu aprendi a
                   ter orgulho de viver no celeiro do mundo, o
                   país do futuro, o gigante adormecido: a décima
                   economia do planeta.
                   SOM DA SINETA


Há um mito de que o roteirista não deve detalhar a cena porque assim estaria dirigindo e não roteirizando. Mas os roteiros de diretores costumam ser ainda mais detalhados simplesmente porque as idéias podem ser esquecidas. Assim, todos os dados que facilitem o trabalho da equipe de filmagem são bem-vindos em um roteiro. Definir a idade, os traços relevantes da aparência física ou do modo de vestir do personagem facilita o trabalho de produtores de elenco e figurinistas. Cuidado com a vaidade: dominar a linguagem do cinema não significa que o roteirista defina, por exemplo, os tipos de planos usados. O emprego de termos como “Fade out” e “Fade in” em alguns casos arredondam a cena e facilitam a compreensão, mas a “direção” da cena só deve ser feita quando importante para a dramaturgia ou para ampliar a cinematografia da escrita..

Saber se um elemento é ou não relevante não é tarefa fácil. Uma dica é retirá-lo do texto: se a cena perder o sentido é porque esse elemento deve ser indicado. Cabe ao roteirista descrever o suficiente para que os personagens, o espaço e todo elemento acústico importante sejam apontados de modo concreto. Tudo o que se escutará e será visto no filme, deve estar no roteiro, mas essas descrições não garantem que irá acontecer exatamente como previsto – fatores como limitação de orçamento e estilo de direção podem limitar. Há roteiristas que só definem a trilha sonora se a escolha da música for decisiva para a trama. Isso porque a trilha requer despesas com direitos autorais que podem até inviabilizar o projeto do filme. Por outro lado, indicar a música, ou um trecho dela, pode tornar a proposta mais clara aos leitores.

Não é comum que no roteiro apareçam abstrações como a sensação do personagem embora os sentimento e as lembranças possam ser construídos ao longo da história.

A quantidade de dinheiro disponível em uma produção cinematográfica pode limitar o poder de decisão do diretor. Por isso, há os que prefiram filmar seus próprios roteiros em baixo orçamento em busca do chamado filme “autoral”.


O roteiro em documentário facilita planejar e vender a proposta, além de prever materiais e falas que facilitarão o trabalho da montagem.

Ler roteiros é um exercício importante para os roteiristas. Roteiros publicados em livros nem sempre respeitam as normas de formatação, por isso o melhor é ler roteiros disponíveis em sites. No site
Roteirosonline.com.br há também dicas de concursos de roteiros.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Agenda

29 DE JULHO


DEBATE: A LITERATURA INFANTIL E JUVENIL NO TEATRO





04 DE AGOSTO

“PARA ALÉM DA TELENOVELA” - PALESTRA COM GLÓRIA PEREZ

QUARTA ÀS QUATRO: GLORIA PEREZ REABRE A PROGRAMAÇÃO COM A NARRATIVA PARA ALÉM DA TELENOVELA.


04/08/201016hFundação Biblioteca Nacional

Auditório Machado de Assis - 2220-2356

Rua México s/n (acesso pelo jardim)

Centro. Rio de Janeiro-RJ



A PARTIR DE 09 DE AGOSTO

MUTAÇÕES – A INVENÇÃO DAS CRENÇAS

Ciclo de Conferências na ABL com transmissão, ao vivo, na WEB

OBS: clique no canto superior esquerdo (pages) para abrir o verso do webflyer.




10 E 11 DE AGOSTO

5o SEMINÁRIO INTERNACIONAL OBSERVATÓRIO ÍBERO AMERICANO DE FICÇÃO TELEVISIVA - OBITEL





SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS




CONCURSO DA ABL CONTE O CONTO SEM AUMENTAR UM PONTO (INSCRIÇÕES ATÉ 30 DE AGOSTO)





CONCURSO LITERÁRIO DO SESC (INSCRIÇÕES ATÉ 30 DE SETEMBRO) E OUTROS...




LIFE'S GOOD LAB

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Roteiro Cinematográfico com David França Mendes

 No curso Roteiro Cinematográfico, que está rolando na Caixa Cultural, David apresentou diversas técnicas que ele e outros roteiristas costumam lançar mão na construção de um filme. Esse é o primeiro relato do que aprendi com esse conceituado roteirista.







David França Mendes é jornalista e atuou como crítico de cinema e literatura.



Roteirista é a primeira pessoa que enxerga com clareza um filme, antes desse filme existir. Esse profissional coloca no papel, de modo concreto, as imagens e os sons para que o filme seja realizado. Ele é um bom contador de história e é essa capacidade de narrar que  seduzirá os produtores e toda a equipe de filmagem, além do espectador. Por isso é tão importante que ele desenvolva habilidades de redação e domine as estrutura narrativas típicas dos roteiros - filme de ficção, documentário, TV.

Escrever um roteiro é fazer escolhas como: a ordem cronológica dos fatos narrados, o foco que será dado a cada personagem, a força de cada cena, do ponto de vista, dos personagens que ficarão mais próximo do público, o efeito que se busca com a narrativa (comédia? drama? terror?) . Essas e outras escolhas definirão a trama. A ordem das cenas, por exemplo, interfere no efeito que se pretende causar com uma história.

A partir de uma idéia, que pode ser do roteirista ou de outra pessoa que proponha um trabalho, o autor do roteiro parte para um cuidadoso trabalho de investigação. Essa imersão no tema, que as vezes é negligenciada, enriquece a narrativa. No levantamento de dados o roteirista irá pensar em coisas como:

  • Quem são os personagens;
  • Quem sente o quê?
  • Com quem esses personagens se relacionam?
  • Porque eles fariam isso ou aquilo?
  • Que problema pode haver na família dele?
  • Quais são os desejos e as necessidades dos personagens principais?
  • Que tipo de obstáculos eles enfrentariam para realizar essas expectativas?
  • Quais são os conflitos centrais da trama?

É interessante que os personagem tenham características marcantes como: o herói cabeça-dura; uma auto-estima frágil... Na medida em que esse heredrograma é montado, novas idéias vão surgindo para compor o roteiro.

Ao longo da história do cinema, diversas técnicas de estrutura do roteiro foram desenvolvidas para atrair o público e estão disponíveis em manuais de roteiro. Uma história rica em detalhes, como modulações que levam o público para opiniões diferentes, tende a ser mais interessante. Checar a coerência dos fatos propostos é outro trabalho que amplifica o efeito da história.

Um roteirista deve desenvolver a capacidade de ler, criticamente, o que escreve. Ele não deve se apegar à idéias "geniais", na verdade, mais do que uma grande idéia ele precisa de várias boas idéias para transformar seu texto em um bom roteiro.

A habilidade criativa em geral está ligada à capacidade de investigação. A pesquisa incrementa a trama com dados que passarão verdade, além de aproximar o autor com o tema. Vale investir em viagens que permitam um corpo-a-corpo com o local e conversar com pessoas, além de desenvolver outras estratégias para buscar a realidade e fugir dos clichês. É importante não perturbar muito o ambiente, por isso nem sempre é possível fotografar, filmar ou gravar essa pesquisa de campo, mas quando possível, o material de registro pode trazer novos elementos para a história. A sensibilidade para ouvir e enxergar com atenção é a melhor vacina contra o clichê. 

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Lições para escrever bem

Na segunda aula de Marcelino Freire, no curso Criação Literária, analisamos os textos feitos pela turma com o mote "lembrança". A partir da nossa escrita, Marcelino ensinou:




  • Um título interessante pode remeter para outra história, desapontando o leitor;

  • A repetição no texto e o excesso de explicação desestimulam a leitura - "O grande cantor é aquele que volta ao refrão com alguma novidade na interpretação".

  • Cuidado com a palavra "certeza" ao escrever.

  • Imagens desgastadas como "tecer o futuro" devem ser evitadas.

  • Um adjetivo deslocado pode confundir.

  • Quando o sentimento se estabelece, dispensa o uso de adjetivos piegas como "medo grande e implacável". Frases lugar-comum que apresentam idéias que já estão no texto, devem ser dispensadas: "Aqui dentro escuto o silêncio das dores e amores de cada um", ou "choro minhas lembranças".

  • Títulos-trocadilhos devem ser evitados: "Um passado que não passa".

  • Cuidado com a poesia querendo ser poesia e com o uso de verbos poéticos por natureza.

  • A palavra sensação é uma praga: "sensação de vazio",  "sensação de medo",  "sensação de tristeza",  "sensação de alegria"...

  • O uso equivocado ou exagerado dos pronomes é outra praga: "mas os sentia".

  • Para dar vida à personagem,  vá direto à ação.

  • Um bom texto é aquele que consegue dar uma rasteira no leitor. Se necessário, sonegue informações e deixe o leitor curioso.

  • Grifar as palavras comuns no texto e substituí-las é um exercício para escrever bem.

  • O uso adequado da pontuação aponta novidades no percurso da narrativa.

  • Frases concisas podem apresentar a dimensão de uma realidade: "O lado mais limpo é o lado do vômito." Ao ler isso, é possível imaginar como estava essa casa.

  • Quando uma segunda história aparece abaixo da história contada, o conto conquista interesse.

  • É possível jogar humanidade em frases verdadeiras: "meus ouvidos ali, com 100 anos".

  • O desenho do texto no papel confere personalidade e dramaticidade, como quando se usa um único parágrafo.
  • Algumas frases oferecem fôlego para uma longa história: " tudo foi pensado como um xadrez".

  • Reforçar a emoção no final dos parágrafos pode deixar o texto piegas. Evitem frases feitas como "joguem a primeira pedra quem nunca sofreu por amor".

  • Textos que generalizam são facilmente esquecidos: particularizar humaniza os personagens.

  • Escrever é mergulhar e ninguém mergulha com muitos apetrechos. Evite palavras difíceis: "esvaindo"; "transeunte" .... elas deixam o texto chato e falso. 

  • Faça o leitor ver o que você escreve: onde você coloca a câmera ao escrever?

domingo, 18 de julho de 2010

Na redação, menos é mais

 Consegui uma vaga no disputado curso adaptação, literatura e cinama, na Caixa Cultural e esse é o relato da aula do pernambucano Marcelino Freire, autor de livros como "Era o dito",  "Contos negreiros" e "Os Cem menores contos brasileiros do século". 

Marcelino é apaixonado por textos que dizem muito, usando poucas palavras e é especialista em ensinar a arte de escrever com concisão e  clareza. 

Marcelino começou analisando vários microcontos e apresentou características que conferem a esses textos o status de literário. Para Marcelino, um texto literário é aquele que fere ao ser lido. Marcelino nos contou como foi picado pela literatura quando leu, aos nove anos, "O Bicho" de Manoel Bandeira. 

O primeiro microconto analisado foi o de Augusto Monterroso:

"Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá."

Quantas interpretações são possíveis para esse dinossauro? Essas interpretações conferem ao leitor a possibilidade de voar ao encontro de uma segunda história.

Nos microcontos, como na literatura, interessa o que não está escrito. Como é o caso desse texto de Ernest Hemingway:

"Vendem-se: sapatos de bebês
nunca usados."

Resta-nos a sombra da dúvida: quem é esse bebê? 

Marcelino Freire nos deu várias dicas para escrever bem:

  • Evite usar um sistema literário que não te pertence: tire a gravata para escrever;
  • Reconheça as suas deficiências: se não tiver fôlego para escrever grandes períodos, opte por frases curtas;
  • Prefira os travessões quando for usar diálogos. As aspas podem confundir o leitor, principalmente se você esquecer de fechá-las;
  • O título e o uso de reticências merecem atenção, porque são elementos literários;
  • Defina a alma dos personagens porque é ela quem dará vida e clareza ao seu texto;
  • Escrever é desenhar na tela: um espaço entre linhas e fontes agradáveis tornam a leitura agradável; 
  • Busque o olho do leitor: dispondo elementos importantes do texto no lado esquerdo da página.
  • Ao apresentar seus textos, não esqueça de colocar o seu nome para evitar que a sua produção se transforme em domínio público.

Marcelino, que já foi revisor de textos, apontou algumas pragas recorrentes na escrita:
- o uso do ponto de exclamação ou interrogação seguido de: "exclamou ele" ou "perguntou ele";
- o excesso de advérbios e adjetivos que tornam o texto falso;
- os pretérito mais que perfeito ou verbos no infinitivo (a pular, a gritar).

Para Marcelino, o autor deve procurar a "respiração de afogado" e escrever sobretudo o que ele escuta. Ele também recomenda que o texto seja lido em voz alta para facilitar o corte dos excessos.

Para os que pretendem lançar o primeiro livro, Marcelino adverte:  livro não é um depósito: "escritores estreantes adorariam que seu primeiro livro fosse uma antologia". Analise seus textos de forma crítica, buscando entender o que os contos ou poesias que você escreveu têm em comum.


Marcelino encorajou a turma a escrever e ler microcontos de apenas seis letras. Ao ouvir a produção da turma ele destacou que escrever pode ser um jogo que, por ser divertido, pode vencer bloqueios. Para ele, a literatura se vence na distração.  Que tal se expressar através da escrita? Não se esqueça de fugir das formalidades!



Posted by Picasa

Fiz e recomendo:

Para quem gostou das cenas que eu gravei e do relatório que escrevi sobre as aulas de Alexandre Klemperer, uma excelente notícia:



quarta-feira, 7 de julho de 2010

Preparação de atores e atrizes mirins

Preparar crianças para atuar no palco e na tela é desafiador. As crianças são encantadoras por natureza, mas o número de mini-atores é maior que a demanda e isso exige que elas sejam boas e que estejam preparadas para enfrentar uma seleção: sem medo. Teste de elenco infantil deveria ser um espaço privilegiado para fazer amigos, só isso. Mas sabemos que o ambiente nem sempre é amistoso e que os profissionais que trabalham com crianças nem sempre compreendem a infância ou estão dispostos a tirar o melhor do talento dos pequenos.
As crianças são um barato e podem surpreender pela capacidade de decorar textos e de agir com naturalidade: habilidades fundamentais para atores e atrizes.

No curso de teatro do condomínio Cores da Lapa procuramos fotografar e filmar constantemente as crianças para que elas se vejam atuando. É impressionante acompanhar a evolução das crianças: na medida em que elas observam e discutem os acertos e as falhas, procuram naturalmente aprimorar as atuações. A maturidade também é ampliada com os exercícios de filmagem porque as crianças percebem que as orientações que elas recebem resultam em performances de qualidade. Se chamamos atenção de uma criança, remetemos aos exemplos positivos e negativos dos documentários realizados e percebemos um comprometimento maior: com o resultado e a superação.

Vejam alguns exemplos:





Maiores informações: silvania.paula.santos@gmail.com

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Dicas preciosas da Ana Paula (produtora de elenco)

Quem sou eu?
Sou Ana Paula Grande, atriz brasiliense que está em São Paulo há 05 anos. A minha formação em comunicação social me preparou para diversas atividades que acabaram por me auxiliar na carreira artística. Uma delas, e a que aqui se faz importante, é a de produtora de elenco. Sem deixar o lado atriz esquecido, há 2 anos comecei a selecionar os atores que eu mesma iria preparar num média metragem da MTV. De lá pra cá, procuro, seleciono, testo e preparo atores para propagandas, filmes e seriados produzidos pela mesma emissora.


O que fiz?
Um pequeno manual de boas maneiras para enviar material aos produtores de elenco que divulgam seus testes em comunidades e sites destinados a atores.


Nunca mande foto com maquiagem teatral (a não ser que o casting seja para atores maquiados, para mímicos ou sei lá o que). Estou falando aqui sobre maquiagens temáticas com pancakes coloridos para caracterizar personagens no teatro (animas, velhinhos, monstros e outros). Deixe estas fotos para o portifólio do maquiador.

Não use fotos com maquiagem demais. Na hora de fazer uma foto foto vale uma pele bem feita, um blush e um rímel. Nada de sombra pesadas, delineadores e penteados. Os meninos só precisam de pó compacto pra tirar o brilho. Não mande fotos nas quais vocês não apareçam. Parece óbvio? Não é! Já recebi várias fotos de coros imensos sobre o palco. Quando pedimos uma foto não é para ver quais trabalhos vocês já fizeram (para isso, usamos o currículo), mas sim para saber como vocês são fisicamente. Nada de muitos acessórios e roupas extravagantes. Isso faz com que os produtores de elenco só consigam te imaginar fazendo um certo tipo de papel (personagens que usam os mesmos acessórios e roupas que você está usando nas fotos). Isso limita a imaginação do produtor e limita a sua variedade de papéis. Ator não é modelo. Não precisa mandar foto fazendo carão, biquinho, de biquini (a menos que peçam), sem camisa. É bom ver sorrisos e rosto sério. Varie entre estas intenções: Sorrisão com dentes aparecendo, pequeno sorriso sem os dentes expostos, sério com sorriso nos olhos e sério total.

O ideal é enviar
três fotos. Sorrindo e sério. Uma de close, uma de plano americano e uma de corpo inteiro.

Reduza os arquivos até NO MÁXIMO 100 Kb, é mais do que o suficiente para te ver e não ficamos horas baixando seus arquivos.

A melhor forma de enviar um currículo é cola-lo no corpo do email, mas pode deixar anexado também. Se for anexar, não esqueça de colar informações importantes no corpo: nome, idade, telefone e cidade onde mora.

Não mande seu material para testes que não são do seu perfil. Ao invés de lembrarmos de você para o próximo trabalho, vamos só ficar com uma baita raiva de você não ser quem estamos procurando no momento.

Por outro lado,
não deixe de mandar seu material para testes no seu perfil. Por mais que a produtora de elenco já te conheça, ou que você já tenha mandado material em um trabalho passado. A praxe é pesquisar novos elencos sempre que temos novos trabalhos. Produtor de elenco tem memória de peixe. Às vezes, esqueço até meus amigos e pessoas que já trabalharam comigo.

Outra dica que parece bem óbvia:
não tente parecer outra pessoa nas suas fotos. Nem mais bonito, nem mais novo, nem mais magro e nem o contrário disso tudo. O fato é que existem todos os tipos de personagens e todo mundo alguma hora pode ter chance. Mandando fotos que disfarcem uma coisa ou outra, você pode até ser chamado pro teste de VT, mas quando der de cara com o produtor de elenco não há como disfarçar. Daí, você perdeu tempo indo ao teste, o produtor também perdeu tempo te recebendo e você fica com uma péssima imagem na produtora em questão.

Não fique ligando, mandando emails, sms, recados no orkut e sinais de fumaça para o produtor de elenco depois do teste de VT.
Se você passar, VÃO entrar em contato com você. Além do mais, bons produtores de elenco sempre dão notícias para que os atores liberem suas agendas.

Nada de fotos gritando, fazendo careta, mandando beijo, plantando bananeira ou fazendo cara de mau. Teoricamente estas fotos deveriam mostrar sua personalidade, mas a única coisa que elas fazem é nos deixar em dúvida quanto a sua aparência física. Deixe para mostrar o seu jeitinho depois que conseguir ser selecionado para o teste de VT.


Email sem foto não vale.

Antigamente se usava muito fazer tipos nas fotos do book. Os atores tiravam fotos com roupas de executivos (sempre de óculos), roupas esportivas, roupas mais chiques e roupas que os deixavam mais jovens. Eu cheguei a fazer um book assim. Hoje, depois de conhecer o outro lado do computador, sou contra este tipo de book. Vale sempre roupas básicas sem tentar parecer algum personagem. Sempre fica fake. Aliás, deixe que os produtores enxerguem o personagem em vocês. Portanto, nada de fazer tipo nas fotos.

Evite alongar demais a sua apresentação e, principalmente, não faça piadinhas aleatórias. A verdade é que, na maioria dos casos, a gente não lê tudo o que vocês escrevem. Então sejam breves e escrevam só o necessário. Nós já sabemos o casting que estamos fazendo.

Não implorem pelo trabalho. O produtor de elenco não vai te chamar pro teste porque ficou com pena de você estar a muito tempo sem trabalho. Você só vai ser chamado se parecer interessante para o papel e é sempre mais interessante quem está na ativa. Portanto, se valorize sem parecer metido. Afinal, se você está mandando material é porque precisa do trabalho.

Se o produtor não sugeriu que vocês o adicionem no orkut, não o façam. Nem sempre estamos a procura de atores e nem sempre queremos dividir nossas informações pessoais com desconhecidos.

Não trate demais as suas fotos. Só use (ou permita que o fotógrafo use) o photoshop para retirar pequenas imperfeições que não façam parte permanentemente da sua fisionomia. Vale retirar uma espinha (que vai sumir mesmo), amenizar olheiras (desde que elas não façam parte do seu visual), corrigir fios de cabelo. Mas nunca trate a textura da sua pele até que fique sem poros visíveis, nunca retire sinais da pele ou tatuagens.

Por fim, se puderem investir em material fotográfico faça isso. Eu, quando estou selecionando atores para TV ou comerciais, só dou atenção ao currículo e links de vídeos se a pessoa estiver dentro do perfil e a foto me convencer. Uma boa foto é um bom cartão de visitas. Se não tiver grana para um bom fotógrafo, faça uma maquiagem leve, coloque um bom jeans, uma regata lisa (para as meninas), uma camiseta lisa (para os meninos) e use a luz do dia.



quinta-feira, 1 de julho de 2010

IBERSCENA

Fundo intergovernamental de apoio às artes cênicas. Criadores e produtores podem inscrever projetos em quatro categorias. Editais e mais informaçõesm em

http://www.iberscena.org/

INSCRIÇÕES ATÉ 03/09/2010

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Novidade na Caixa Cultural para os amantes da literatura e do cinema



Curso ADAPTAÇÃO: A LITERATURA NO CINEMA
INSCRIÇÕES >>>
Vagas limitadas!

CURSO GRATUITO
30 horas / aula

Emissão de certificado (75% de frequência)

13 a 22 de julho (terças, quartas e quintas)
14 às 19h30

Local: Sala de Cinema 2 – Caixa Cultural do Rio de Janeiro (Unidade Barroso)
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro.

EMENTA
O curso deverá ser uma oportunidade para que os interessados em escrever para o cinema tenham uma visão panorâmica de como trabalham o autor de um texto literário e o autor de um texto audiovisual, desde o desenvolvimento da história até a sua estruturação numa forma narrativa específica.


MÓDULOS

1 Criação Literária, com Marcelino Freire
Dias 13 e 14 de julho

2 Roteiro Cinematográfico, com David França Mendes
Dias 15 e 20 de julho

3 Adaptação, com Maria Camargo
Dias 21 e 22 de julho


MÓDULO 1 CRIAÇÃO LITERÁRIA

Com Marcelino Freire
O escritor pernambucano abordará todos os gêneros literários, do microconto ao romance, e dará dicas de como "enxugar" o texto e trabalhar a concisão. Por meio de exercícios narrativos, os alunos vão ser instigados à criação de diferentes formatos literários.

13 e 14 de julho (quinta e terça)
14 às 19h30

Sobre o professor
Marcelino Freire nasceu em Sertânia, PE, e vive em São Paulo desde 1991. É um dos principais nomes (e divulgadores) da nova geração de escritores brasileiros. Autor, entre outros, de Contos Negreiros (Editora Record), vencedor do Prêmio Jabuti 2006, e de RASIF – Mar que Arrebenta (Editora Record), finalista do Prêmio Jabuti 2009 e semifinalista do Prêmio Portugal Telecom 2009. Em 2004, idealizou e organizou a antologia Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século (Ateliê Editorial). Muitos de seus contos foram adaptados para teatro. Participou de várias antologias no Brasil e no exterior. É o criador e curador do evento Balada Literária, que reúne anualmente quase uma centena de escritores, nacionais e internacionais, no bairro paulistano da Vila Madalena.

Mais informações sobre autor e obra, acesse:
www.eraodito.blogspot.com


MÓDULO 2 ROTEIRO CINEMATOGRÁFICO

Com David França Mendes
O objetivo do curso é apresentar as principais técnicas e os princípios teóricos que norteiam o trabalho do roteirista de cinema: a construção do relato em forma de roteiro, a função dos personagens e o fluxo audiovisual através das descrições e diálogos.

15 e 20 de julho (quinta e terça)
14 às 19h30

Sobre o professor
David França Mendes é diretor e roteirista de cinema e TV. Seus trabalhos mais recentes incluem duas adaptações de livros: o longa-metragem Um Romance de Geração, que escreveu e dirigiu, baseado no livro homônimo de Sérgio Sant'Anna; e o roteiro do filme Corações Sujos, em fase de produção, dirigido por Vicente Amorim e adaptado do livro de Fernando Moraes.
Em TV, seu trabalho mais importante foi a criação da série Quase Anônimos, exibida pelo canal Multishow. Escreveu vários outros longas, curtas, documentários e programas de TV, e, entre outros prêmios, foi finalista do NHK-Sundance Latin America Award. Foi diretor de Criação e Desenvolvimento da produtora Mixer e coordena o Laboratório Estação, projeto de cursos e oficinas do Grupo Estação.


MÓDULO 3 ADAPTAÇÃO

Com Maria Camargo
Adaptar. Transpor. Transformar. Recriar. O desafio de encontrar imagens para o que está dito em palavras. Na passagem da literatura para o cinema e a TV, o que é fidelidade e o que é traição? A partir de trechos de romances, contos e peças de teatro, analisaremos as especificidades de cada linguagem e suas possíveis relações com o audiovisual.

21 e 22 de julho (quarta e quinta)
14 às 19h30

Sobre a professora
Maria Camargo é roteirista de cinema e televisão, formada em cinema pela PUC-RJ e consultora dos Laboratórios de Roteiro SESC-RIO. Autora do livro O medo e o mar (Cia das Letras, 2009), é também diretora dos curtas metragens Se meu pai fosse de pedra (2010) e O coração às vezes para de bater (2009), uma adaptação do livro de Adriana Lisboa. Roteirizou filmes para produtoras como TV Zero, Mixer, Caradecão, 1001 Filmes e Luz Mágica, e foi duas vezes selecionada para o Laboratório SESC-RIO de Roteiros para Cinema com os longametragens Noite dos Vagalumes e A Mergulhadora. Na televisão, participou da criação do seriado Tudo novo de novo (TV Globo, 2009) e roteirizou programas como Sítio do Pica-Pau Amarelo e Por toda a minha vida. Ministrou cursos de adaptação para cinema no Laboratório Estação e na Escola de Cinema Darcy Ribeiro.

sábado, 19 de junho de 2010

Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena RJ



Inscrições abertas do concurso para a Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena - Faetec

Sex, 11 de Junho de 2010
Estão abertas, até 25 de junho, as inscrições do concurso para o preenchimento de 3.230 vagas nos cursos técnicos subsequentes e superiores da rede da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec). Os interessados devem acessar o site www.faetec.rj.gov.br, no link Concurso 2010.2 onde encontrarão tanto o formulário de inscrição quanto os Manuais com todas as informações sobre vagas, cursos, unidades e o calendário do concurso.
As inscrições são realizadas exclusivamente pela internet. Depois de escolher a área técnica que quer se especializar o candidato deve acessar site www.faetec.rj.gov.br, no link Processo Seletivo FAETEC 2010.2 ler o Manual, preencher o Formulário de acordo com as orientações, imprimir o boleto bancário e em seguida, pagar a taxa de inscrição de R$ 38,00, na rede bancária, o que automaticamente confirma a participação no processo.
Vagas
As vagas oferecidas são para as turmas que terão início no segundo semestre de 2010. São 2.300 para cursos da educação profissional técnica de nível médio subsequente, dirigidas para quem já concluiu o nível médio e busca uma especialização técnica. Os cursos têm duração média de um ano e meio. Há vagas para Administração, Análises Clínicas, Arte Dramática (Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena), Cerâmica, Comércio, Construção Naval, Contabilidade, Edificações, Eletrônica, Eletrotécnica, Enfermagem, Estética, Florestas, Fruticultura, Gerência de Saúde, Informática, Logística, Máquinas Navais, Mecânica, Plástico, Produção de Moda, Prótese Dentária, Química, Secretaria Escolar, Segurança do Trabalho, Telecomunicações e Transporte Ferroviário.